Nov 04 2007

Tempo circular

Published by puny under literatura, política

Quando Lula diz uma coisa e seus comandados fazem outra e Chávez enterra a democracia na Venezuela, precisamos lembrar que, talvez, o tempo seja circular.

Em uma época de apogeu, a conjetura de que a existência do homem é uma quantidade constante, invariável, pode entristecer ou irritar; em tempos de decadência (como estes), é a promessa de que nenhuma afronta, nenhuma calamidade, nenhum ditador nos poderá empobrecer.

Na prática, o que observo é que as pessoas gostam de ser comandadas e que detestam fazer escolhas (pra quê mudar de presidente se tá tudo bem?). Isso não muda; as pessoas só se revoltam quando o comando é muito feroz. Mesmo assim, acham que colocar alguém mais brando indefinidamente no poder é solução. Talvez por isso a história pareça se repetir. A essência humana é essa, os erros são os mesmos - os resultados não poderiam ser diferentes.

Eu não acreditava no tempo circular e no eterno retorno, mas às vezes precisamos crer em alguma coisa. E a idéia de que nenhum ditador nos pode empobrecer é ótima.

BORGES, Jorge Luís. O Tempo Circular. In: ______. História da Eternidade. Rio de Janeiro: Globo, c1953. p. 74..

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Oct 03 2007

Emma Zunz

Published by puny under literatura

Foi um dos contos que mais me chocou n’O Aleph. Fiquei contente ao descobrir que seria o conto da vez no Clube da Leitura e resolvi contribuir com meus dois centavos.

A minha frase favorita no conto é ” [. . .] porque a morte de seu pai era a única coisa que tinha sucedido no mundo e que continuaria sucedendo para sempre”.

Há os que querem acabar com o gerúndio. Ele pode muito bem ter um bom emprego, oras! Muitos escritores o provam.

Ah, não era esse o enfoque do post.

Voltando: mesmo uma ferrenha detratora do “olho por olho, dente por dente” consegue se compadecer da Emma. É preciso estar muito obcecada, como prova minha citação, para violentar-se daquela forma e matar um homem.

Acho esse conto muito veloz pro estilo Borges; poucas páginas, muita ação e objetividade. Surpreendeu-me positivamente por isso. Gosto muito do Sábato - contemporâneo, conterrâneo e “rival” do Borges - que escreve dessa forma como ninguém, então não havia como eu não gostar do conto.

Enfim, nenhum comentário sobre o conto supera o conto.
Parem de ler minhas abobrinhas e tenham uma boa leitura em português* ou espanhol.

* não gostei dessa tradução, recomendo a que segue na referência

BORGES, Jorge Luis. Emma Zunz. In: ______. O Aleph. São Paulo: Globo, 2001. p. 67.

P.S.: Antes que eu esqueça, quem corrigir minha referência que se rale, os elementos essenciais estão todos ali. A ordem que se dane, estou cansada e é só um post.

P.S. 2: É um clube de leitura, há outros posts sobre “Emma Zunz”:

Biajoni
Bender
Alex Luna

Antecipo que são opiniões mais bem escritas e melhor fundamentadas que os meus parcos parágrafos.

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