Archive for the 'política' Category

Nov 04 2007

Tempo circular

Published by puny under literatura, política

Quando Lula diz uma coisa e seus comandados fazem outra e Chávez enterra a democracia na Venezuela, precisamos lembrar que, talvez, o tempo seja circular.

Em uma época de apogeu, a conjetura de que a existência do homem é uma quantidade constante, invariável, pode entristecer ou irritar; em tempos de decadência (como estes), é a promessa de que nenhuma afronta, nenhuma calamidade, nenhum ditador nos poderá empobrecer.

Na prática, o que observo é que as pessoas gostam de ser comandadas e que detestam fazer escolhas (pra quê mudar de presidente se tá tudo bem?). Isso não muda; as pessoas só se revoltam quando o comando é muito feroz. Mesmo assim, acham que colocar alguém mais brando indefinidamente no poder é solução. Talvez por isso a história pareça se repetir. A essência humana é essa, os erros são os mesmos - os resultados não poderiam ser diferentes.

Eu não acreditava no tempo circular e no eterno retorno, mas às vezes precisamos crer em alguma coisa. E a idéia de que nenhum ditador nos pode empobrecer é ótima.

BORGES, Jorge Luís. O Tempo Circular. In: ______. História da Eternidade. Rio de Janeiro: Globo, c1953. p. 74..

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Oct 21 2007

Seminário de filosofia 2

Published by puny under política, vidinha

Hoje, com muita valentia e coragem, fui a mais uma palestra.

Novehoradamanhã de sábado, no Teatro de Câmara na República.

Eu não lembrava mais quem era o palestrante e muito menos sobre que raios falaria. Esperava eu que não fosse algo muito sonolento, já que eu precisava trabalhar depois. O dia inteiro.

“O prof. N… falará sobre Platão e as Leis [. . .]“. Só faltei pular da cadeira de tanta alegria. Um assunto conhecido!

Já li sobre Platão [Popper, Karl. A Sociedade Aberta e seus Inimigos], então sabia o que esperar. Seria daquelas palestras que me dão nojinho dos seres humanos totalitários em geral. Logo no início ele disse que o Popper se deu ao trabalho de comparar o óbvio, ou seja, Platão com Marx, Comte, etc.

Aí me acalmei e pensei que não ouviria nada que não havia lido, mas com outra opinião.

E foi o que aconteceu. O professor passou a palestra toda falando de forma “não opinativa”, aparentemente.

Fizeram-lhe uma pergunta sobre o fato do Noçu Guia ter estudado pouco e ele disse que como professor não poderia expressar opinião.

Eu acho válido que professores e afins exponham suas opiniões, assim temos a certeza de que nada está “oculto” no discurso. Nunca conheci uma pessoa… isenta, então duvido de todos os que se dizem.

Entretanto, é só uma opinião minha.

Da Carla, neoliberalzinha, estudante de biblioteconomia, que não sabe de nada.

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Oct 11 2007

Le RU

Published by puny under comida, política, vidinha

Hoje eu almocei no R.U.. Restaurante universitário.
Bandejão pros paulistas.

Grande coisa, dirão os novatos. Almoço ali todo dia, pensarão outros - e não faço posts por isso.

Sim, a graminha está mais verde que de costume e isso não vale um post. Mas é engraçado.

Só que não almoço(ava) no RU há muito tempo. Lembro de ter almoçado algumas vezes no primeiro semestre - ano passado, mas enfim. Parece-me que passaram anos. Tanto que esqueci da bandeja na mesa! Fiquei da cor do molho de pimenta.

Já devo ter dito aqui que não acho legal que, além de bancar a minha formação universitária E minha bolsa-trabalho, o Estado ainda subsidie minha comida. Eu já recebo benefícios demais, blá, blá, blá.

Claro que não almocei por lá pelo frango, alface temperada, arroz e feijão. O frango estava bem gostoso, aliás. Acho que fizeram especialmente pra me “tentar”, hahaha.

Faço voltas e não vou ao ponto: o que virá a seguir? Seria esse o limite? Não.
Há limite? Não sei.

Sei que não pretendo repetir a experiência tão cedo. Meu miojinho é mais em conta, é suficiente pra três refeições e, além de não ser subsidiado, ainda paga impostos :P

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Oct 10 2007

Tropa de Elite

Published by puny under política

Ontem, graças à Fernanda, em companhia de Guadalupe e seus irmãos, fui ao Shopping Total pra pré-estréia de Tropa de Elite.

Eu estava com medinho do filme, que fosse muito forte ou muito duro. Falaram tanto das cenas fortíssimas de tortura e afins… impressionável que sou, fui nervosa pro cinema.

No fim, fiquei apenas envergonhada com as críticas que o filme faz. Eu, no meu mundinho, com dó de quem faz passeata pelos filhinhos conheirinhos, sem pensar nas crianças e adolescentes que fazem parte da coisa toda.

Nós somos responsáveis pelos nossos atos, portanto não temos direito de reclamar - a menos que façamos o certo.

Voltando à questão da tortura: claro que não é coisa bonita nem válida e discordo da prática. Só que no filme fica bem claro que eles davam a chance das criaturas falarem. Não queriam sofrer as conseqüências do tráfico, que não fossem coniventes. Algo do tipo: ok., eu falo: mas me protejam dos bandidos. Simples assim.

De resto, o filme me pareceu bem coerente: bandido é bandido, traficante não perdoa e esse blá-blá-blá de consciência social não resolve (quase) nada.

Há tempos eu não gostava tanto de um filme nacional.

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Oct 08 2007

Entendam, de uma vez:

Published by puny under política

A passeata me fez lembrar o quanto a direita pode ser assustadora [...] sujeitos com cara de malvados distribuíam panfletos alertando para os perigos do Foro de São Paulo e dos planos de Lula para levar o Brasil ao comunismo.
A direita é muito safada; chega a sê-lo mais do que a esquerda. Disfarça suas reais intenções por trás de manifestação pela ética. O ranço de Olavo de Carvalho se deixava entrever nos dizeres de uma das faixas exibidas pelos manifestantes: entre “Mensalão”, “Renan Calheiros” e “Caso Lulinha”, despontava a faixa “Suposta Ligação do PT com as FARC”. Porra, SUPOSTA?! Você está numa manifestação, xingando a mãe do presidente da República, e sapeca um “suposta” numa faixa de protesto? Oras, por favor!

Voltei para casa com medo. Aquilo me parecia a Marcha da Família com Deus, aquelas presepadas todas que antecederam (e desencadearam) o golpe de 64. Lembrei de uma crônica recente do Verissimo, na qual ele alertava para o perigo de se vaiar o governo ao lado das pessoas erradas. Eu pretendo continuar a vaiar os safados, mas aqui do meu canto, sozinho.

Uma coisa é condenar o Foro de SP e dizer que o Lula talvez queira uma “reeeeleição”. Outra é defender uma ditadura de direita.


Lembro-me de quando morreu Pinochet. Escrevi aqui que o inferno abria suas portas para ele. “Mas Pinochet não é da sua turma?”, provocavam os petralhas. Não! Fidel e Chávez é que são da turma deles. Mais Stálin, Lênin, o Porco Fedorento… Pretendem dividir comigo um bom par de ditadores nem tanto porque repudiam o suposto abrigo que eu dê aos meus (porque eu não dou), mas porque estão em busca de licença moral para adular os seus.

Posso mandar, e mando, para o diabo que os carregue todos os ditadores de países capitalistas. E sobra como herança do modelo praticamente a totalidade das conquistas da humanidade. E se os esquerdistas abrirem mão dos seus? O que é que lhes sobra?

Só que eu desisto, sabe? Acho que não é concebível, para a maioria dos humanos, que exista quem NÃO queira ditaduras, quem queira liberdade de reclamação para todos, enfim, essa coisa política amorfa que eu me considero.

Continuarei a choramingar pela falta de liberdade, aqui, do meu canto, sozinha.

*grifos meus*

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Sep 12 2007

Sociedade 0 x 10 Políticos

Published by puny under política

Mais uma vez, perdemos.

Mensaleiros, corruptos e agora o Renaaaaaan - todos eles absolvidíssimos.

Que eu faço?

Sento e choro de vergonha.

Edit: mas não só isso. Leio a Nariz Gelado e penso que primeiro desmontarão o Senado. Um dia eles acabam com a Câmara. Num outro, instauram uma ditadura.

Edit 2: resolvi participar da campanha do Rodrigo Stulzer, pensada simultaneamente pelo Bender, que chegou-me via Abóbora.
Isso é uma vergonha nacional.

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Jul 18 2007

Published by puny under política

Eu já tinha medo de andar de avião. Não medo de andar de avião exatamente, mas de andar de avião nas atuais condições brasileiras. Medo de queda, de atraso, de chuva, de tudo. Assim como ando ressabiada com carros e ônibus.

A essa altura todos já sabem que havia no avião um deputado e o ex-presidente do Inter, o Amoretty - único nome que reconheci de cara na lista de passageiros. Fiquei temerosa até a maldita sair; não era pequeno o número de professores e amigos com viagem marcada pra São Paulo por esses dias. Felizmente, não localizei nenhum conhecido.

Mesmo assim, entre passageiros e transeuntes, são umas duzentas alminhas mortas. Não adianta, o Brasil é o país das reformas chinelas. Nenhum meio de transporte é ou será seguro nestepaiz. Não devemos mostrar surpresa se mais acidentes ocorrerem em breve. Qual vôo será o próximo?

Ah, uma empresa aérea com nome de onomatopéia não pode reclamar de ser a mais preocupante na opinião do firpo e de quem ainda lembra do caso da porta que saiu voando em 2002. O Globo fez uma listinha dos acidentes envolvendo a companhia nos últimos anos, prova de que os temores não são infudados.

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