Jul 18 2007
Só cinco??
Não muito chegada a memes, mas quando chamam não consigo fugir. Esse quem repassou foi o Marcus.
Meus livros favoritos são os que li mais vezes ou os melhores que li? Os melhores são os melhores por terem um estilo literário superior, por tê-los consumido mais rapidamente ou por terem me tocado? Não sei. Sei que vou pegar uns dos que li nos últimos três anos e tacá-los numa lista aleatória, levando em conta que são os mais frescos na minha cachola. Ao final, uma surpresinha da minha infância: o livro que mais vezes reli precisa estar nessa lista. Ah, sim: evidente que não tenho a paciência do abóbora e não colocarei as capas dos livros. Muito menos as referências completas, já que serve um desses publicado por qualquer editora, desde que em tradução direta - quando for o caso:
- Sabato, Ernesto. O Túnel - primeiro da lista por ser o livro que mais cito. Marcou o início da minha fixação por ler em quantidade e com qualidade, já que nessa época dei-me conta de que o tempo estava passando e que ainda não havia lido nem um milésimo de tudo que há de bom para se ler. Para constar: ainda não consigo chegar perto desse milésimo.
- Dostoievski, Fiodor. O Idiota - Representa o que eu mais gosto do Dostoiévski, mas qualquer um dele poderia estar presente. Qualquer um, não: Crime e castigo, Os Demônios, Nietótchka Niezvânova, A Senhoria, O Eterno Marido… O Idiota está aqui por ser o que li mais rápido e por conter as melhores duzentas páginas iniciais de um livro.
- Shakespeare, William. O Rei Lear - O autor que mais li não poderia ficar de fora da lista. Pensei em colocar o meu mais lido dele, Sonho de uma noite de verão, ou então A megera domada. Dei-me conta de que a lista estava muito pouco adulta e resolvi colocar o meu favorito dos mais ’sérios’.
- Cortázar, Julio. Todos os fogos o fogo - Histórias fantásticas do Bioy, qualquer um do Borges, Bestiário… dentre tantos livros de contos latinoamericanos, preciso escolher um. Listar só cinco livros não dá, Marcus! É muita crueldade. Onde deixo o Borges, o Flaubert, o Fitzgerald, o Paul Auster, o Hemingway?
- Macedo, Joaquim Manuel de. A Moreninha - porque aos oito anos romances românticos são o que há em literatura. Como minha biblioteca era pequena e eu ainda não tinha verbas próprias para livros, lia e relia o que ganhava em feiras do livro e etc. Os hits da época eram os românticos e o Machado. Só que o Machado era realista demais pra uma mocinha que ainda brincava de bonecas e sonhava com um Augusto bem chorão a pedi-la em casamento aos quinze anos. Quem ainda se casa aos quinze anos? Ha, ha.
Notei que nunca entrou ou entrará uma mulher em minhas listas de melhores. Nunca li algo de bom - que não seja literatura infantil, jornalismo ou auto-ajuda - produzido por mulheres. Lya Luft? Obrigada, mas quando tiver meus sessenta anos talvez me interesse. Clarice Lispector? Nãão, também não. Mulheres simplesmente não sabem escrever. Discutirei melhor essa questão em um post futuro, se eu não esquecer.
Edit: Não fosse o William eu esqueceria de passar adiante! Esse meme vai para… William, Cleber (que pode postar no prefácio, também, quando voltar das férias), Julia, Vanessa e Vica.

