Nada como acordar às quinze pras seis da manhã, cochilar na aula de catalogação, dormir nos banquinhos da FABICO, dormir no SAE esperando pra ser atendida, dormir na fila do Antonio pra almoçar um pão de queijo, dormir na casa da vó das onze às treze, dormir em casa das quatorze às quinze…
Só queria dormir e acordar em uns dez anos com a vida pronta, vivida e feliz.
Há um jeito de fazer isso? Talvez. Eu só nunca consegui agir assim por tanto tempo.
Assim como, cara-puny? Assim, no piloto automático.
A gente liga e vive. Quando acorda, tudo de bom aconteceu e nem vimos. A vida passou e não vivemos.
Já me aconteceu. Não sei como passei por alguns meses da minha vida. Quando vi, estava vivida.
Sem dores, sem sofrimentos, sem tristezas, sem culpas e arrependimentos. Quem não faz nada de errado não pode se arrepender. Quem vive um dia por vez não sofre.
Ex-Blog do Cesar Maia 09/11/2007EXCLUSIVO! TERCEIRO MANDATO! DOCUMENTO INTERCEPTADO NA COMUNICAÇÃO ENTRE DOIS DIRIGENTES DO PT!“Agora sim, o procedimento que vamos adotar está lido, relido e analisado por dois grandes juristas, cujos nomes já lhe informei pessoalmente. O memorando dele é objetivo e claro. Os passos serão os seguintes, na Câmara e no Senado. A novidade que ele confirmou, é que com este procedimento se prescinde de emenda constitucional prévia. A) Decreto legislativo convocando plebiscito em 2008, na data da eleição municipal aprovando a segunda reeleição, ou terceiro mandato consecutivo. B) Basta a assinatura de 1/3 dos deputados e depois dos senadores. C) Presença no painel em plenário: 50%. D) Votação se dá por maioria simples independente do numero de votos. Uma vez realizado o plebiscito com a vitória inevitável pró segunda reeleição ou terceiro mandato, a legitimidade da tese e a pressão popular, seriam avassaladoras. Aí sim se faria tramitar a PEC como simples ratificação da vontade popular. Irresistível. Ideal seria que a proposta de Decreto Legislativo fosse apresentada simultaneamente nas duas casas já com 1/3 dos deputados e senadores. Mas é importante que a primeira votação seja na Câmara. Lembro que nenhum parlamentar de nossa base que não queira se comprometer terá problemas. Basta se ausentar da votação. Um terço temos fácil e depois garantir o quorum de 50% e se ausentar, e deixar para os mais firmes a maioria simples em plenário, é outra vez muito fácil. Depois do plebiscito, que deputado ou senador terá coragem de votar contra a PEC? O terceiro mandato sairá das ruas”.
Eu não.
Divulguem, discutam: o terceiro mandato é uma possibilidade. Seria assinar o fim da democracia mexer nas regras no meio do jogo, pra usar os termos de voça ecelênsia. Não é certo mexer nas regras e elas já valerem na próxima eleição.
Isso já aconteceu (FHC) e se repetirá… porque a Banânia não tem solução.
Ela está terminando e eu não tive tempo pra olhar NADA - vide post abaixo sobre a minha semana joinha.
Passei pelas barraquinhas voando, com pastas e papéis. Devorava com os olhos aqueles livros e… Não avistei nada prestável.
Sim, desde que me conheço por gente aprendi que os bons livros não estarão em destaque a me esperar, mas custava ficarem mais visíveis?
Preciso perguntar, revirar, catar um Borges? Um Cortázar? Um Hemingway?
Infelizmente, sim.
Por isso, nesse ano ficarei com as banquinhas infantis. Comprarei mais uns livrinhos do Charlie e da Lola:
Saí de um estágio e coloquei pra fora as minhas reclamações. Gastei 3 dias pra juntar papelada e não foi suficiente.
Minha mãe teve mais um ataque cardíaco hoje. Também hoje, a síndica bateu na minha porta dizendo que o tal do vazamento não pode continuar. Fiz as contas: gastarei uma fortuna e terei meu banheiro destruído. Querem mais? Claro que há mais. O post abaixo já dá uma prévia. Minha pressão está mais instável que o meu humor na TPM. Meu estômago não aguenta mais passar mal.
Depois disso tudo, infelizmente, eu não consigo manter a calma. Especialmente com discussões acerca de horários da Alice. Principalmente se ocorrem quando eu já estava relaxada e no décimo sono.
Tudo o que me aconteceu nessa semana pode até não justificar a minha reação, mas eu sou humana.
E uma hora… BUM.
Peço desculpas públicas e as repetirei pessoalmente, mas faço um apelo a todos: não me venham com mais nada de desagradável nessa semana. A próxima na fila pra um ataque cardíaco soy yo.
A literatura é muito explicativa. Graças a ela, aprendi muito sobre o comportamento humano.
Nos últimos tempos, entretanto, não havia lido nada tão didático e hilário quanto este conto do Tchekov: Diário de um Homem Genioso.
Cito:
“- Por favor, senhor Nicolas [. . .] - por que está tão triste? Por que se mantém tão calado?
Que jovem curiosa! De que iria falar com ela? Que tínhamos nós de comum? Procuro descobrir qualquer coisa acessível para sua inteligência… qualquer coisa de… banal… Depois de muito refletir comecei a falar:
- A destruição das florestas constitui um mal irremediável para a Rússia.
- Nicolas [. . ] dir-se-ia que deseja me castigar com seu silêncio… Como o seu sentimento não é correspondido quer sofrer em silêncio, sozinho! [. . .] Qual seria a sua resposta se a jovem a quem ama com tanto carinho lhe prometesse uma amizade eterna?
[. . .] não sei absolutamente o que dizer. Imaginem que, em primeiro lugar, não estou enamorado de ninguém; em seguida, de que me serviria uma amizade eterna; e, por fim, sou terrivelmente genioso.
[. . .]
- Nicolas, beije-me! - disse.
Fiquei totalmente confuso e não sabia o que responder. Ela repete o pedido. Nada a fazer! Levanto-me e beijo-a na face. Sinto a mesma sensação de minha infância, quando, na hora Réquiem, me obrigaram a beijar o rosto frio de minha avó morta.”
A questão da árvore é piada interníssima, não faz parte da obra em si.
Mocinhas: não se martirizem para compreender os mocinhos.
Não há nada a compreender. Desistam desses tipos. E riam.
Em uma época de apogeu, a conjetura de que a existência do homem é uma quantidade constante, invariável, pode entristecer ou irritar; em tempos de decadência (como estes), é a promessa de que nenhuma afronta, nenhuma calamidade, nenhum ditador nos poderá empobrecer.
Na prática, o que observo é que as pessoas gostam de ser comandadas e que detestam fazer escolhas (pra quê mudar de presidente se tá tudo bem?). Isso não muda; as pessoas só se revoltam quando o comando é muito feroz. Mesmo assim, acham que colocar alguém mais brando indefinidamente no poder é solução. Talvez por isso a história pareça se repetir. A essência humana é essa, os erros são os mesmos - os resultados não poderiam ser diferentes.
Eu não acreditava no tempo circular e no eterno retorno, mas às vezes precisamos crer em alguma coisa. E a idéia de que nenhum ditador nos pode empobrecer é ótima.
BORGES, Jorge Luís. O Tempo Circular. In: ______. História da Eternidade. Rio de Janeiro: Globo, c1953. p. 74..