Nov 17 2007
Cortázar pra vocês
Nada sobre mim - mania que as pessoas têm de interpretar citações, querer que tenham relação com a vidinha quotidiana. Quero apenas provar que o cara é bom - como se precisasse de prova. Ok., também estou a preferir Borges, mas são diferentes. Os diálogos do cortázar parecem reais. Poderiam ter acontecido com qualquer um, exatamente dessa forma, com essas palavras e pausas.
E sou bobo principalmente, pode acreditar, porque me falta o que sobra em Juan: entusiasmo.
- Às vezes - comentou ela, baixando a cabeça - ele me parece tão menino ao teu lado.
- Um belo elogio - reconheceu Andrés passando levemente a mão pelos seus cabelos.
- Você merece - afirmou Clara..
- Não, não estou falando de mim.
- Ah.
[. . .] 4 páginas de supressão [. . .]
- Não creio que poderia me esquecer. Tudo está contra nós, Andrés.
Juan fazia sinais para eles enquanto ouvia o cronista. Olhando para o chão, Clara começou a andar pela galeria.
- É inútil e não te servirá de nada - murmurou com uma voz que a Andrés pareceu antiga, de quando ela lhe falava com esta voz. - Mas quero que saibas que sinto muito.
- Clara - disse Andrés.
- Você sabe muito bem o quanto eu o quero. Não estou arrependida de ter ido com ele. No fundo, o que me dói é que você e ele não sejam um só, ou que eu não possa ser duas.
- Por favor - pediu Andrés. - Assim está bem. Não digas mais nada.
- Não é isso. Não é isso precisamente. O que me dói é que estou certa de ter feito a coisa justa e nesse mesmo sentimento, de repente,
o asco da justiça, saber que nada é justo quando há mais de dois.
CORTÁZAR, Julio. O Exame Final. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996. p. 250 e 254.


Comecei a ler O Jogo da Amarelinha. Ainda não tinha lido nada do Cortázar. E tô achando interessantíssimo! :)
bjus