Sep 22 2007
Papel dos pais…
Há muita besteira na Blogosfera ultimamente sobre a questão dos livros didáticos.
Falam apenas no papel dos professores sobre o assunto. Não que eu esperasse algo sobre os bibliotecários, mas uma palavrinha sobre os pais bastava.
De todas as reações sobre o assunto, a que mais gostei foi a do Liberal, Libertário, Libertino:
Os cidadãos, como o Kamel, têm direito de reclamar dos livros que julgam impróprios - não me parece que ele exigiu censura. Os professores, que são os profissionais da área, têm direito de escolher com quais livros querem trabalhar - o que já acontece. Então, tudo bem.
Se fosse um verdadeiro liberal, aliás, Kamel preferiria ter milhares de professores podendo escolher livremente milhares de livros, do que ter um único burocrata, em uma saleta em Brasília, decidindo o que todo mundo iria ler.
Pena que não acontece de fato. Há uma “democracia” no ensino público, isto é, todos os professores do Brasil usam os mesmos livros indicados pelo MEC, certo? Escolhidos por alguns deles de forma democrática, mas mesmo assim: acredito que cada professor deveria escolher o livro de seus alunos.
Caso os pais não gostassem da linha de professor “x”, deveriam poder trocar seus filhos de escola, já que a deveria ter todos o direito a uma educação públicagratuitaedequalidade e livre de patrulhas ideológicas.
O papel familiar é este: mostrar o contraponto. Ou não. Alguns contrapontos eu não quero pra minha filha. Aprender que a Princesa Isabel é uma feia e que o Mao era um bom amante em nada contribuiriam para a sua formação, por exemplo.
Claro, eu evitaria trocá-la de escola. Creio que bastaria dizer a ela que há um outro lado e que o professor o está omitindo. Repetirei a famosa frase do meu pai, ouvida tanto quanto eu estava à esquerda quanto quando me bandeei pra direita: “Carla, as coisas não são bem assim…”.
Fico feliz por ter atingido o equilíbrio. Muito influenciável, eu? Enquanto estava na escola, aprendi a ser de esquerda. No cursinho, aprendi a ser de direita. Agora, aprendi que não quero nem a direita cega, menos ainda a esquerda ensadecida.
Gostaria de ser apolítica. Mas não sei ser neutra. Resolvi ser crítica de todos os lados.


As crianças não gostam de ler porque os pais não lêem, tampouco incentivam a leitura. Eu gosto de ler porque a minha mãe é uma “tracinha” e sempre nos deu livros de presente. É de pequeno que se torce o pepino, já diz o ditado.
Esse negócio de livro didático é sempre complicado, principalmente em se tratando de escola pública, já que, neste paiz, tradicionalmente, instituições de Estado são confundidas com instrumentos de governo.
No meu caso - e me considero um exceção - sempre defendi a leitura ampla, geral e irrestrita junto aos pequenos. Devido a pouca paciência da mãe das crianças, acabei também ajudando (principalmente o mais velho) nas tarefas da escola. Posso confirmar a verdade na frase do Alex Castro, do LLL, quando diz: “Quando estamos sozinhos em sala com nossos alunos, falamos o que queremos.“, independentemente da classe versar sobre história, geografia, matemática ou português.
Como anti-petista convicto e anti-esquerdista desde criancinha, ficou fácil perceber esses “desvios à esquerda” nas explicações mais banais e mais fácil ainda destruir estes mitos ingênuos jogados sobre cabecinhas ainda em formação. Isso somado à “briga” permanente por muita leitura, aparentemente, resolveu o problema.
Muita leitura é isso mesmo: desde J. K. Rowling até Edgar Allan, passando por Tolkien e C.S.Lewis; Stephen King e Lemony Snicket. Autores brasileiros? Humpf! Eles não seduzem ninguém aos 10, 12 ou 16 anos…
A vigilância precisa ser permanente. Ainda bem que no teu caso, a Alice está sempre contigo: vai ser mais fácil.