Jul 14 2007
Inacreditável
Houve um tempo em que eu gostava de carnaval.

Houve um tempo em que eu ficava com a minha mãe em Osório.

Hoje, nada disso faz sentido.
Jul 14 2007
Houve um tempo em que eu gostava de carnaval.

Houve um tempo em que eu ficava com a minha mãe em Osório.

Hoje, nada disso faz sentido.
Jul 13 2007
Nada revelador, apenas boas passagens, recomendadas inclusive a futuros leitores da obra. Comentei-a ao final do post, como de costume. Ah, acredito que cada um dos trechos selecionados virará um post no futuro. Num futuro bem distante, quando as férias e o ócio verdadeiro deixarem de ser um sonho.
Monólogo de Alejandra:
- Ela está tão acabada. Não serve para cantar e também já não deve servir muito na cama, a não ser para provocar fantasias: quem transaria com um monstro desses?
Virou de novo os olhos para a cantora e murmurou, como se falasse consigo mesma:
- Daria tudo para ser igual a ela!
—–
Alejandra, de novo:
- Por que você veio, então? - não pôde deixar de dizer.
Alejandra o olhava como tentando concentrar a atenção.
- Prometi que viria, não foi?
Mal lhe trouxeram o gim, ela o bebeu de um só gole. Depois disse:
- Vamos sair. Quero tomar um pouco de ar.
Quando saíram, Alejandra andou até a praça e, subindo na grama, sentou-se num dos bancos que dão para o rio. Ficaram um bom tempo em silêncio, que foi quebrado por ela, ao dizer:
- Como é repousante se odiar!
—–
Fernando, pai de Alejandra, em seus escritos:
Acho que ao ler a história de Norma Pugliese alguns de vocês pensarão que sou um canalha. Desde já lhes digo que acertaram. Considero-me um canalha e não tenho o menor respeito por minha pessoa. Sou um indivíduo que mergulhou em sua própria consciência, e quem, após afundar nas dobras de sua consciência, ainda se pode dar ao respeito?
—–
Bruno, a respeito de Fernando:
Zombava das teorias simplistas sobre a mulher, que resultam em lugares-comuns, como os que afirmam que a mulher é romântica e deve ser conquistada à luz do luar e os que imaginam que deve ser maltrada. Em sua opinião, havia mulheres que precisavam de um buquê de flores, e outras, de uma bofetada, e outras (às vezes as mesmas, dependendo das circunstâncias), das duas coisas. Mas a longo prazo acabava maltratando todas elas, às vezes cruelmente, como quando bocejava no momento culminante do ato sexual.
—–
Terminei o livro como terminei O Túnel: sem conseguir compreender as pessoas normais da história. Em um, compreendi Castel. Era louco. Em outro, compreendi Fernando. Era louco. A loucura basta para explicá-los. Só que não há como entender Iribarne, Alejandra, a mãe de Alejandra, Allende, Martín e, especialmente, o Bruno. Eu não costumava gostar de personagens do Sabato, são todos estranhos demais, humanos demais. O Bruno parece sensato durante praticamente toda a narrativa, definitivamente um cara maduro, normal (?!?)
Se recomendo o livro? Só aos que têm paciência, aos que já leram algo do Sabato, aos que já leram algo do Borges, aos que conhecem um pouco a história Argentina e nutrem simpatia pelos hermanos. Todos os itens anteriores são obrigatórios para a leitura. Ah, sim: não esperem num livro de mais de seicentas páginas a mesma velocidade que há em O Túnel. Quem o leu e achou lento, nem pense em pegar Sobre Heróis…
SABATO, Ernesto. Sobre heróis e tumbas. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 282, 300, 386, 565.
Jul 12 2007
Não quis pesquisar sobre isso por ter medo. A resposta é muito óbvia e é certo que isso já deve ser público, mas enfim: só eu notei que Ela Disse Adeus dos Paralamas é absolutamente baseada na letra de For no One dos Beatles?
Comparem:
She wakes up, she makes up,
She takes her time and doesnt feel she has to hurry,
She no longer needs you.
And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years.
Ela disse adeus e chorou
Já sem nenhum sinal de amor
Ela se vestiu e se olhou
Sem luxo mas se perfumou
Lágrimas por ninguém
Só porque é triste o fim.
Não sei porque cargas d’água resolvi dedicar um post a respeito de algo tão simplório, mas quem publica testes é capaz de qualquer coisa, inclusive de fazer comparações entre Paralamas e Beatles.
Jul 08 2007
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You Are a Double Espresso |
![]() Hey Energizer Bunny Girl! Do you ever slow down? You’re a mix of high energy and ambition, perfectly matched with strong espresso When you want something you get it - by any means possible You’re driven, determined, and no nonsense. Which is just how you like your java. |
… mas gostei do resultado deste.
Edit: discordo da frase “You’re driven, determined, and no nonsense.”
Jul 07 2007
Apesar de tudo o que eu conheci nesse ano, duvido que algo soe melhor aos meus pobres e leigos ouvidinhos que a musiquinha do Icky Thump:
[audio:youdontknowwhatloveis.mp3]
You just keep on repeating
All those empty “I love you’s”
Until you say you deserve better
I’m gonna lay right into you
You don’t know what love is
You just do as you’re told
Just as a child of ten might act
But you’re far too old
Your not hopeless or helpless
And I hate to sound cold
But you don’t know what love is
No you don’t know what love is
No you don’t know what love is
Por que não poderia haver algo melhor em 2007? Acredito que está tudo meio a se repetir, com a exceção dos nórdicos e afins. Mesmo do White Stripes eu esperava algo um pouco… diferente? Supreendente?
Soa-me tudo tão igual… Como se nada mais me tocasse. O problema talvez não esteja nas músicas, mas na ouvinte. Que seja.
Jul 05 2007
Sou uma pessimista convicta, o que me livra de falsas esperanças e decepções em geral. Entretanto, hoje acordei com a síndrome do semestre-seguinte-feliz, a.k.a. otimismo desenfreado.
Montei meus horários sem noções de ordenamento e números de vagas e parece que tudo dará certo: os horários fecharam, poderei fazer uma ou duas eletivas e ainda me sobrará tempo para voltar a estudar francês!
Claro que o tempo é relativo. Ao contemplar os espaços vazios na tabela, sinto que terei tempo até para a academia. Na prática, sei bem que as coisas não são tão simples: provas, trabalhos, Alice, supermercado, livros, coisas que estragam, … Mesmo assim, não consigo ficar pessimista.
Meu final de ano será melhor que o previsto em janeiro e isso é fantástico.
Jul 01 2007
Depois do divertidíssimo Como não ser uma mãe perfeita, que trata de esclarecer às pobres mães de primeira viagem que todas passam por problemas semelhantes e que não há livro de auto-ajuda que resolva o fato de que temos de ser mães em tempo integral, descubro que a mesma autora escreveu Como não criar um filho perfeito, em que ela trata de educação.
Tenho minhas opiniões bem formadas sobre o assunto, entretanto, acredito que sempre podemos aprender um pouquinho mais com as experiências alheias.
Educar é a tarefa mais complexa que pode existir, especialmente depois de inventarem a psicologia, a pedagogia e a psicopedagogia. No tempo da minha avó não havia essas frescuras: todos apanhavam e todos sobreviveram. Já ameacei com palmadas, mas nunca as utilizei de fato. Lembro de bater na mãozinha dela quando tentou mexer em algo perigoso, mas fora apenas um reflexo materno.
A Alice é educada por mim com uma palavra: não. E ela significa exatamente isso: não. Não não é “talvez”, não não é “se eu insistir eu posso”. Não é não - mas um não não basta. Procuro fazê-la perceber que a atitude que o motivou é errada. Afinal, eu não estarei sempre presente para dizer “não! isso é errado.” Mesmo que estivesse; eu sou humana e cometo muitos erros. Preciso ensiná-la a perceber sozinha o que é errado. Claro, há o certo, há o errado e há algo entre uma coisa e outra. Só que isso eu não posso ensinar, nem a ela nem a ninguém. Aprende-se na prática.