Jun 20 2007
Melhor final
Leio muitos contos, paralelamente aos romances. Adoro os dois gêneros (subgêneros?), cada um tem suas vantagens. Andei enfeitiçada por Borges e Bioy Casares, mas nenhum deles escreveu um final tão bom (que eu tenha lido e que tenha me marcado) quanto o Fitzgerald em O diamante do tamanho do Ritz, p. 60:
- Que agradável ser louco!
- É o que dizem - disse John, melancólico. - Eu não sei mais. De qualquer maneira, vamos nos amar por um tempo, por um ano ou mais, você e eu. É uma forma de embriaguez divina que todos podemos experimentar. No mundo inteiro, há apenas diamantes, diamantes e talvez a pobre dádiva da desilusão. Bem, eu tenho essa última, e farei o de sempre com ela: nada. - Sentiu um calafrio. - Levante a gola, garotinha, a noite está muito fria, e você pode pegar uma pneumonia. Foi um grande pecado a invenção da consciência. Vamos perdê-la por algumas horas.
Então, enrolando-se no cobertor, caiu no sono.
Não ousei ler o restante do pocket ainda. Nem continuar Sobre heróis e tumbas. Depois dessa, preciso respirar por uma semana, em silêncio.
FITZGERALD, Francis Scott. O diamante do tamanho do ritz seguido de Bernice corta o cabelo e O palácio de gelo. Porto Alegre: L&PM, 2006.

