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Jun 19 2007

Nem por você, nem por ninguém?

Published by puny under sem classificação

Eu jurei que seria diferente comigo. Milhões de mães, bilhões delas, enfim, todas as que passaram pelo mundo e que não apresentaram algum tipo de desvio psicótico grave são assim. Como eu, que não tenho nenhuma doença mental grave diagnosticada até o momento, seria diferente?

Assim como? Ahn, assim, dedicada demais. Dedicada a ponto de sentir o chão faltar ao ver o filhote mencionar o desejo de abandonar o ninho. Dirão vocês que a Alice só tem quase quatro anos e que é cedo demais para eu ter preocupações do tipo. Concordo. Mas já sei; reagirei assim.

Quando eu estava grávida, jurei não mudar minha vida e meus planos futuros em função dela, já que ela cresceria como qualquer filha normal e me deixaria um dia. Pobre adolescente encanada. Lógico que seria diferente. Nos últimos quatro anos, desisti dos meus planos, um de cada vez. Mudei alguns e desisti inclusive das adaptações:

Plano A

- Direito

- Mestrado/especialização/qualquer coisa no exterior, preferencialmente França

- Concurso público para me tornar uma juíza/promotora/whatever

- Encontrar o príncipe encantado, casar e ser feliz até que a morte chegar.

Plano B

- Biblioteconomia

- Mestrado/especialização/ qualquer coisa em São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Rio de Janeiro

- Concurso público para me tornar uma bibliotecária e/ou professora na área.

- Encontrar um cara legal que aceite dividir um pouco de sua vidinha comigo.

Plano C (atual)

- Tentar terminar o curso (biblioteconomia).

- Conseguir um emprego qualquer que pague, pelo menos, metade das minhas contas.

- Ficar sozinha até o fim dos dias.

Não posso dizer que a culpa é da Alice. Eu seria a maior mentirosa do planeta. Ela é supercompanheira, nunca me atrapalhou em nada. Só que, mamãe que sou, eu quero o menor dos sofrimentos pra ela. Pra quê tirá-la do convívio com familiares e amiguinhos? Como jogar fora com estudos excessivos um tempo que poderia passar com ela? Pra quê colocar alguém no meio da nossa relação?

Quando me vi, estava assim. Colocando-a em primeiro lugar, sempre. Um dia, ela vai sair de casa. E eu não terei mais motivo. A menos que ela me dê um neto pra mimar, aos 35 eu parecerei uma senhora de 60, com o sentimento de dever cumprido, esperando a morte. Ops, se ela me der um neto, também parecerei uma senhora de 60. O que importa é que tenho 20 e me sinto uma quarentona desestimulada. Não que todas sejam, mas muitas começam a se sentir assim com essa idade e…

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