May 12 2007
Perdi.
Que mais que um ludo ou jogo é a extensa vida,
Em que nos distraímos de outra coisa -
Que coisa, não sabemos -Livres porque brincamos se jogamos,
Presos porque tem regras cada jogo;
Inconscientemente?
Feliz o a quem surge a consciência
Do jogo, mas não toda, e essa dele
Em o saber perdê-la*
A rotina está deveras estressante. Não bastasse estar em meio a um semestre dos mais difíceis - não pela dificuldade das disciplinas, sim por estar no momento biblioteconomia: ame-a ou deixe-a - resolvo começar academia. Sobrevivi à primeira semana com algum louvor. Não deixei de fazer absolutamente nada do que estava previsto. Minto: esqueci-me de comprar tinta para a impressora. Minha memória nunca funcionou, na verdade.
A poesia é aleatória, não está diretamente relacionada ao post. Quer dizer, faz algum sentido; sou livre para fazer algumas escolhas e estou presa a parcas alternativas. Escolhi deixar o sedentarismo para quando não houver remédio e sofrerei as conseqüências do tempo reduzido. Claro, escrevo sobre a academia pois não tenho mais a menor vontade de fazer longos posts discutindo a minha vida comigo mesma em público.
Postei-a também por um motivo mais bobinho. Terminei de ler as Odes nessa semana. O Ricardo Reis é comovente com seu niilismo meigo. É meu heterônimo favorito, talvez influência do único Saramago que li - e não gostei. Talvez eu poste outras ao longo da semana, mas enfim, essa foi a selecionada para o blog pois lembrou-me O JOGO quando a li.
Sei que perdi, sei anunciar a derrota; entretanto, também sei esquecer-me de tudo isso quando convém.
*PESSOA, Fernando. Odes de Ricardo Reis. Porto Alegre: L&PM, 2006. p. 144.


