May 25 2007
Side effects
O último livreco que terminei foi o Que loucura!, contos do Woody Allen. Caótico demais. Os primeiros contos são muito engraçados. Alguns têm uma estrutura muito boa. A linguagem é coloquial demais, o que eu considero um defeito - apesar de nem sempre ser um.
O verdadeiro problema são os finais. Mais nonsense que os meus posts no “Reclame da vida” ou no “Estamos falando sozinhos, não leiam”, mais sem pé nem cabeça que as resoluções da UFRGS sobre créditos complementares! Enfim, acho que vocês já compreenderam que o cara é maluco.
Só que, por mais que o final de um bom conto deva ser surpreendente e trazer um elemento “mágico”, “fantástico”, pouco crível, precisa haver um mínino de coerência entre o que foi dito durante o conto e o final.
Faz sentido que um cara cuspa coelhinhos? Não. Mas parece crível que o mocinho que dá a luz a coelhos pelo estômago sinta-se envergonhado pela sujeira e bagunça que eles fazem e resolva escrever uma carta pedindo desculpas por isso.
Agora, escrever uma história excelente sobre um cara que conhece a Mme. Bovary através de uma máquina de colocar as pessoas pra dentro de livros terminar com
A mágica não o transportara para O Complexo de Portnoy, nem para qualquer outro romance, e sim para uma tábua de logaritmos, na qual ele se viu acuado por um exército de dízimas periódicas , que o condenaram a engolir milhares de vírgulas, para sempre.
é terrível, convenhamos.

