May
12
2007
Depois do GMail começamos uma nova cultura.
Explico de antemão que não o digo por ser uma googlemaníaca: nós simplesmente não queremos mais deletar e-mails e o Google foi o pioneiro dessa idéia. Fazer uma limpa na caixa não significa mais que o limite está pra estourar, e sim que vamos tirar os lixos inúteis. As demais conversas e mensagens, não. Queremos manter esse tipo de memória conosco, assim como faziam nossos antepassados com suas cartinhas e bilhetes - putz, ainda guardo cartas e bilhetes! Sou uma velha.
Como não só de memória individual faz-se uma sociedade, a British Library pula na frente da Library of Congress e inventa de arquivar e-mails:
The ‘Email Britain’ campaign, which will run throughout May, asks the British public to make email history by forwarding a memorable or significant email from their sent mail or inbox, for inclusion in a digital archive that will be stored at the British Library for future generations [. . .] Emails should be submitted under one of the following categories which should be typed into the subject box of the email: Blunders, Life Changing Emails, Complaints, Spam, Love and Romance, Humour, Everyday Emails, News, World Around You, Tales from Abroad.
Repito, com ênfase: um arquivo de e-mails. Público. Com vários e-mails de várias pessoas. As criaturas enviam o que desejam tornar público - já que, logicamente, ninguém sairá a invadir caixas de e-mail desprotegidas.
Uma excelente contribuição para a tal da memória coletiva. Podemos saber muito sobre uma época ao ler um punhado de cartas antigas. Por que não possibilitar aos futuros curiosos uma visão dos spams de hoje? Das piadinhas sobre o Bush? Do estilo (?) miguxo de alguns emails de amor?
Vocês enviariam algo para um arquivo semelhante na Biblioteca Nacional?
May
12
2007
Que mais que um ludo ou jogo é a extensa vida,
Em que nos distraímos de outra coisa -
Que coisa, não sabemos -Livres porque brincamos se jogamos,
Presos porque tem regras cada jogo;
Inconscientemente?
Feliz o a quem surge a consciência
Do jogo, mas não toda, e essa dele
Em o saber perdê-la*
A rotina está deveras estressante. Não bastasse estar em meio a um semestre dos mais difíceis - não pela dificuldade das disciplinas, sim por estar no momento biblioteconomia: ame-a ou deixe-a - resolvo começar academia. Sobrevivi à primeira semana com algum louvor. Não deixei de fazer absolutamente nada do que estava previsto. Minto: esqueci-me de comprar tinta para a impressora. Minha memória nunca funcionou, na verdade.
A poesia é aleatória, não está diretamente relacionada ao post. Quer dizer, faz algum sentido; sou livre para fazer algumas escolhas e estou presa a parcas alternativas. Escolhi deixar o sedentarismo para quando não houver remédio e sofrerei as conseqüências do tempo reduzido. Claro, escrevo sobre a academia pois não tenho mais a menor vontade de fazer longos posts discutindo a minha vida comigo mesma em público.
Postei-a também por um motivo mais bobinho. Terminei de ler as Odes nessa semana. O Ricardo Reis é comovente com seu niilismo meigo. É meu heterônimo favorito, talvez influência do único Saramago que li - e não gostei. Talvez eu poste outras ao longo da semana, mas enfim, essa foi a selecionada para o blog pois lembrou-me O JOGO quando a li.
Sei que perdi, sei anunciar a derrota; entretanto, também sei esquecer-me de tudo isso quando convém.
*PESSOA, Fernando. Odes de Ricardo Reis. Porto Alegre: L&PM, 2006. p. 144.