Apr 25 2007
Duas citações da minha última e inconclusa leitura (já reservei o livro pra terminar na semana próxima) :
Mas não é absurdo todo amor? Será Fulaninha mesmo tão maravilhosa? E Fulaninho terá razões para morrer de amores por ela? E por que é mais nobre o amor retribuído que o desinteressado e sem esperanças? Talvez o senhor pense que eu sou o mais infeliz dos homens. Sei que sem Emília não seria menos. O senhor dirá que tê-la com a tenho não é tê-la. Acaso há outra maneira de se ter alguém? Embora vivam juntos, os pais e os filhos, o homem e a mulher, não sabem que toda a comunicação é ilusória e que, definitivamente, cada qual permanece isolado em seu mistério?
Carta sobre Emília.
Gostei dessa primeira por ela abordar a mesma questão da frase do Sábato tão repetida em bebedeiras - Há só um túnel, obscuro e solitário: o meu - e por reduzir o amor a “será fulaninha tão maravilhosa/seria ele capaz de…”. na verdade todo o parágrafo caiu sobre mim como uma luvinha. Todo ele faz um sentido medonho, como se fosse escrito especialmente pra mim.
A outra frase é quase um clichê. Só não é clichê por ser escrita num formato lietrário muito bonito e, de certa foram, original. Gosto dos autores que dizem o óbvio de forma diferente da manada:
O tempo é o nome do amargo remédio do inconsolável
p. 118.
Tudo isso estava no
BIOY CASARES, Adolfo. Histórias de amor. Porto Alegre: L&PM, 1987.

