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Apr 24 2007

Beboteconomia

Published by puny under sem classificação

Jornalistas e bibliotecários são mais parecidos do que supõe a vã filosofia de boteco fabicana. Claro, isso do meu ponto de vista. Pois o bibliotecário, na minha cabeça, não deve ser só a criatura capaz de indexar, catalogar e classificar. Não deve ser só o chato das normas. Não deve ser apenas o contador de histórias, nem o cara da referência. O bibliotecário precisaria saber escrever uma tese sobre o que tem na sua biblioteca, enquanto jornalistas deveriam escrever sobre qualquer coisa também, só que nada de tão científico, hehe.

Aliás, deveríamos estar aptos a escrever uma dissertação sobre qualquer assunto ao final do curso. Isso sem ter feito graduação alguma na área em questão. Afinal, sabemos onde encontrar as informações mais relevantes, sabemos escrever trabalhos acadêmicos, sabemos das normas necessárias… Mistura-se tudo e faz-se uma dissertação! Afinal, uma dissertação é um novo olhar sobre algo, enquanto uma tese é algo que ainda não foi escrito. Vocês dirão:

ok, pesquisar é fácil (?), estruturar um trabalho é simples (?), agora o novo olhar…

Bom, se depois de uma pequisa exaustiva, depois de escrever tooooda uma introdução e um desenvolvimento a criatura não for capaz de pensar em um novo olhar para o assunto, ou pelo menos ter uma visão crítica da coisa, aí é caso de polícia.

Tudo isso foi uma forma reducionista, irônica e bizarra¹ que encontrei de dizer duas coisinhas que considero essenciais:

1. o bibliotecário nunca será bom se não souber se colocar na pele do seu usuário.

2. a cada ano formam-se hordas de bibliotecários semi-analfabetos e/ou que não sabem pesquisar direito (?).²

Isso é absurdo e a solução é simples: façam a criatura escrever, ao final do curso, uma espécie de segundo TCC sobre qualquer outro assunto que não biblioteconomia e afins. Coloquem as criaturas a pesquisar e a escrever sobre física, filosofia, matemática, história, química, medicina molecular, antropologia, enfim, qualquer assunto mesmo.

A banca ideal: um professor de português, um professor da área escolhida e um bom professor da Biblio. Se destruir a inculta e bela, reprovado. Se fugir do assunto ou disser asneiras, reprovado. Se não aplicar bem as normas e não relatar como fez a pesquisa, como avaliou a confiabilidade das fontes e afins, reprovado. Eu penaria pra me formar, admito. Só que seria uma boa profissional e meus colegas idem.

¹ antes que venham com pedras e comentários imbecis.
² fato facilmente observável em listas de discussão da área, em sites de profissionais e na prática.

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