Apr 08 2007
Estava com saudades de ler romances. Não romances românticos; falo da forma, néscios. Conto, novela, romance, certo? Contos são ótimos, sucintos e bacaninhas. Só que neles inexiste o apego às personagens. Podemos ler diversos contos; apenas alguns ficarão na memória por seu enredo e afins… Só que, a menos que o nome da personagem tenha alguma relevância para o conto, não nos recordamos de seu nome, de seus trejeitos, nem da fisionomia imaginada. Romances são mais recordáveis; gastamos mais tempo na leitura e no penso. Por mais que eu leia um romance no ônibus, a leitura é mais cuidadosa que a de um conto. “Mesmo se o livro for ruim?”, perguntarão vocês. Justamente, dos piores lembramos mais e a ciência explica: por um processo evolutivo, tendemos a guardar melhor as lembranças ruins. O motivo? Dizem que é pra evitarmos que a experiência desagradável se repita. Eu, por exemplo, jamais voltarei a pegar Iracema. Não consigo passar da primeira página.
Escrevo a respeito por ter encerrado no feriado a leitura de “Pais e Filhos”. Terminei o livro e continuo a conviver com as criaturas em minha mente, especialmente o Arcádio. Tinha aqueles pensamentozinhos niilistas por conta da influência do Bazaróv e de sua cabeça vazia. Continuou com a cabeça vazia. Identifiquei-me com ele, rá. Sim, tenho poucas convicções e acredito, a princípio, em tudo o que falam. Pensar dá preguiça, oras. Discutir sem embasamento é mais prático e mais divertido.


Tri sutil: “falo da forma, néscios”… hauahuahauahuahauhauhaa
Bazárov está deslumbrado com aquela espécie de sentido (ou falta dele) da vida, e leva de arrasto o cabecinha oca do Arcádio…hehehe, mas eu gostei muito desse livro também.