Feb 28 2007
As chatices do jovem Werther
Eu terminei recentemente a leitura de:
GOETHE, Johann Wolfgang von. Os sofrimentios do jovem Werther. Porto Alegre: L&PM, 2006.
Gostei, até, apesar de o pobre demorar muito a se matar.
Ele mata-se por um motivo torpe, a Carlota é perfeita, ele e o Alberto são homens boníssimos.
A análise psicológica inexiste, praticamente. Ele apenas lamenta e lamenta.
Como já comentei aqui, estou mal acostumada por Dostoiévski. Ele me agrada por suas personagens; são seres humanos, nem bons nem ruins - ou melhor: simultaneamente bons e ruins.
Quando eu era pequena, julgava que quando diziam: ‘obra tal é complexa’, referiam-se a linguagem. Ou então que a história seria tão difícil que eu não compreenderia. Em absoluto! A complexidade das obras assim descritas está justamente na realidade das personagens. Oras, se os homens são complexos, por que raios a maioria dos escritores simplifica tudo numa dicotomia bem/mal, alegria/tristeza?


é preciso lembrar que essa era a moda (?) da época, né…
nah, modismos de época não impediram Machado, por exemplo.
Werther sofre muito, e é justamente este sofrimento que tornou o livro inverossímel pra mim. Parece uma novela mexicana.
Aliás, se Werther se chamasse Juan Pablo e a história se passasse em Guadalajara, ninguém estranharia.
InverossímEl? Eu achei o livro bem inverossímil (;p), mas nem tanto pelo sofrimento exagerado. Como expliquei no post, achei-o assim pela surrealidade do caráter das personagens.