Feb 25 2007

Extrafamiliar

Published by puny at 1:56 under sem classificação

Resolvi assistir a uma maratona de episódios de Gilmore Girls hoje, e o 6×20 chamou muito a minha atenção, por mostrar o início da relação Lorelai e April, filha do Lucke. A menina estava de aniversário e ao pobre pai não estava conseguindo organizar a festinha sozinho. Ele pedira à Lor que mantivesse distância do relacionamentos deles, mas pediu socorro. Ela ajudou e a festinha foi fantástica, digna de Lorelai Gilmore.

A mãe da April, Anna, quando descobriu, foi colocar o dedo na cara do Lucke e alegou que não conhecia a Lor. Pois a Lor foi até a loja dela e as duas conversaram. Anna disse que não gostaria que a April se relacionasse com ela pois eles são apenas noivos, podem se separar e ela deseja estabilidade pra filha, que nunca apresentou seus namorados à filha, essas coisas.

Eu pensava como a Anna há dois minutos atrás: que deve-se evitar apresentar namorados para os filhos, especialmente quando se acredita que durará pouco. Eu, particularmente, nunca tive reservas quanto ao outro lado; sei que ele busca relacionamentos duradouros e consegue. Já eu sou instável e duvido que algum namorinho meu vá longe.

Aí me dei conta de tudo o que eu perderia se meus pais tivesse agido assim, como a Anna sugere à Lor. Minha personalidade seria outra: eu aprendi a lidar com perdas, com a instabilidade, aprendi que relacionamentos não são perfeitos e não duram pra sempre.

Não fosse por isso, eu não saberia andar de bicicleta, não saberia nada sobre etiqueta, mil talheres e maquiagem, não saberia nada sobre política, desconheceria o submundo portoalegrense e ainda estaria lutando contra o grave problema de trocar lâmpadas e resistências de chuveiro.
Provavelmente eu nem saberia o que é Biblioteconomia.

Eu devo muito, praticamente metade do que sou hoje, ao Vilmar, à Márcia, à Bema, ao Fernando e, mais recentemente, à Ana. Os dois primeiros em especial, foram fundamentais em nossa educação. Ambos agiam como pai e mãe nas horas em que os próprios faltaram. Eu seria uma pessoa bem mais limitada sem eles todos.

Não só comigo isso acontece: ainda é cedo para sentir a influência, mas sei que a Alice tem muita sorte. A Vanessa é fantástica nesse sentido, tanto que a pequena adora ir pra casa dela.

Ou seja: é muito saudável que filhos se relacionem com os parceiros de seus pais. Ou não, já que eu… enfim, talvez eu fosse uma pessoa mais estável se achasse a instabilidade algo anormal. Ainda há outras coisas, mas são impublicáveis.

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