Jan 22 2007
Ah, se Lídia escrevesse…
…responderia ao Ricardo o seguinte, pois quem escreve o que ele escreveu não fica apenas ouvindo correr o rio, hahaha:
É tarde.
Enlaçamos as mãos e nos beijamos, mas jamais seremos mais do que crianças; é impossível abandonar a infância de todo.
Nesse momento, pagãos da decadência, não cremos em nada.
Não cremos que seremos felizes ou que esse momento será eterno. Mesmo assim, lembrar-me-ei de ti depois e não hei de me ferir ou mover. Tu também nada sofrerás ao lembrar-te de mim, ser-te-ei suave à memória,
Justamente porque amamo-nos tranqüilamente, trocamos beijos e abraços e carícias, Que valem tanto quanto estarmos sentados ao pé um do outro, ouvindo correr o rio e vendo-o.
Vale a pena cansarmo-nos, pois passamos como o rio.
Seria bom passar silenciosamente e sem desassossegos grandes, mas os amores são indispensáveis.
Já os ódios, as paixões que levantam a voz… A inveja e os ciúmes, que dão movimento demais os olhos… deixo-os para os outros.
A vida realmente passa e não fica, nada deixa e nunca regressa. Por isso, Ricardo, vem sentar-te comigo à beira do rio.


Texto perfeito, digno do Sr. Fernando Pessoa.