Archive for January 22nd, 2007

Jan 22 2007

Ah, se Lídia escrevesse…

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…responderia ao Ricardo o seguinte, pois quem escreve o que ele escreveu não fica apenas ouvindo correr o rio, hahaha:

É tarde.

Enlaçamos as mãos e nos beijamos, mas jamais seremos mais do que crianças; é impossível abandonar a infância de todo.

Nesse momento, pagãos da decadência, não cremos em nada.

Não cremos que seremos felizes ou que esse momento será eterno. Mesmo assim, lembrar-me-ei de ti depois e não hei de me ferir ou mover. Tu também nada sofrerás ao lembrar-te de mim, ser-te-ei suave à memória,

Justamente porque amamo-nos tranqüilamente, trocamos beijos e abraços e carícias, Que valem tanto quanto estarmos sentados ao pé um do outro, ouvindo correr o rio e vendo-o.

Vale a pena cansarmo-nos, pois passamos como o rio.

Seria bom passar silenciosamente e sem desassossegos grandes, mas os amores são indispensáveis.

Já os ódios, as paixões que levantam a voz… A inveja e os ciúmes, que dão movimento demais os olhos… deixo-os para os outros.

A vida realmente passa e não fica, nada deixa e nunca regressa. Por isso, Ricardo, vem sentar-te comigo à beira do rio.

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Jan 22 2007

Crônica de uma manhã

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Desço a Bento e dou tchau pro meu ônibus, que passa ao longe. Ok, basta acender um cigarro que passa o próximo. Quinze minutos dá pra fumar dois, mas enfim.
Quem disse que eu achei meu isqueiro?
Esvaziei a bolsa três vezes. Nada.
Cansei, perdi a vergonha e fui perguntar a um taxista se tinha fogo. Tinha. Acendi o cigarro. Apareceu o ônibus.
Carla dá três rápidas tragadas, uma atrás da outra, larga o cigarro praticamente inteiro no chão e…

Olááá! Meu motorista favorito - sim, eu tenho um motorista favorito da carris, que sempre me cumprimenta na entrada e espera eu passar quando saio pra dar tchau. Antes que pensem besteiras, ele costuma fazer isso com um grupo de passageiros que já é conhecido de anos.

Enfim, sentei-me e comecei a escrever isso aqui. Aí entra uma criatura divina no ônibus. Sério, o menino parecia modelo. Sentou ao meu lado e começou a… ler um livro! Sim, uma beldade lendo!
O dia que começou ruim ficou menos pior ao chegar no ônibus.
Percebi que o mundo ainda não está tão perdido, posto que existem motoristas atenciosos e meninos-com-cara-de-modelo-da-ford que lêem.

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