Jan 12 2007
Sono
Ando muito sonolenta, sinceramente. Passaria dias a dormir, se eu pudesse.
Só que pessoas atarefadas como moi não têm o direito de dormir.
Eu gostaria que meu dia tivesse 29 horas. Nove pra dormir e ficar com o resto do dia… Ficar com o resto do dia? Piada, meu dia não me pertence. Um dia que eu consiga ir ao Bourbon (mesmo o da Ipiranga, ver um filminho…) com amigas já é muito; um dia que consiga passear na Cultura é uma raridade. Só eu pra me debanadar até lá pra comprar um… dicionário!, no meio de uma semana corrida, como fiz na do trabalho da Jussara. Só eu pra atender aos desejos da minha avó, os mais absurdos, mesmo no meio de correrias. Quando tiro férias (férias? há!) também não tenho sossego.
Mesmo assim, só sabem cobrar: Carla isso, Carla aquilo, Carla vá aqui, Carla vá ali… Não esqueça da família, não esqueça dos amigos, não esqueça da Alice, não esqueça dos estudos, não esqueça do trabalho, não esqueça da saúde, não esqueça da (péssima) aparência, não esqueça de ler, nçao esqueça de escrever, não esqueça de obter informação, não esqueça de se indignar, não esqueça de ouvir uma música, não esqueça de ir ao cinema, não esqueça de espairecer, não esqueça de viver, não esqueça de procurar o amor da vida, não esqueça de tomar as vitaminas, não esqueça de comer, não esqueça de usar brincos, não esqueça de fazer indiadas, não esqueça que não deve fazer indiadas, não esqueça de ir à praia, não esqueça de tirar férias, não esqueça de fazer um curso no verão, não esqueça que ainda é uma mocinha, uma menininha, uma mulherzinha, uma velhinha, tudo ao mesmo tempo.
Eu realmente sinto muito. Muito mesmo. Já disse isso milhares de vezes, mas não posso fazer nada. Nada. Nada, nada, nada.
Eu realmente gostaria, às vezes, que metade - eu disse METADE - do que pensam de mim fosse verdadeiro. Infelizmente, creio que nem um tercinho corresponda à realidade. Eu não sou calma, eu não dou conta de tudo - sim, Carla, cite algo que neglicencies! - eu não sou centrada como imaginam, nada! Eu surto, eu canso, eu grito, eu me estresso, eu até choro. Às vezes choro muito, às vezes passo muito tempo sem chorar, quando deveria.
Se apenas metade do que imaginam fosse real, eu estaria assim? Não, não estaria.
Eu gostaria de saber quem é o (ir)responsável pelo que pensamos/imaginamos e pelos conceitos que fazemos das coisas e pessoas. Sem dúvida é alguém que não tem a menor noção da realidade.

