Jan 06 2007
Calma
Eu andava muito agitada no ano passado. Provavelmente a vida inteira.
Esse ano sinto-me mais calma, não só quanto à literatura*; acho que é a velhice que se aproxima. Não a velhice física, mas a velhice da alma.
Sempre disse que era velha desde sempre. Que nasci com 80 anos. Só que só dizia isso pela pequena misantropia que eu possuía e talvez pelo meu jeito meio carrancudo, minhas manias e tudo o mais.
Agora, no entanto, sinto algo que nunca senti antes: calma. Continuo a me estressar com as pequenas coisas da vida - é uma calma diferente. Inexplicável. Como se eu não precisasse mais saber tudo, ler tudo, entender de tudo, opiniar sobre tudo, salvar o mundo, cumprir um papel. Estou só existindo pra mim e pros meus e isso é bom. Eu não preciso mais fazer as pessoas concordarem comigo, eu não preciso mais me preocupar com injustiças, já que todos cometem várias na vida e…
Como de costume, o Dostô pode exemplificar a minha mudança; penso que me acalmei ao realmente entender que uma pessoa é de um jeito, a outra não é a mesma pessoa e que não devemos nunca censurar ninguém. Fácil é dizer esse tipo de coisa, eu sempre dizia e acreditava que sabia disso; entretanto, só nos últimos dois, três meses consegui alcançar essa compreensão de fato. Não consigo mais censurar ninguém por suas atitudes, juro que no máximo fico chateada ao observar certos comportamentos. Antes, meu peito ficava gritando que determinadas coisas eram erradas e pronto. Que certas coisas não devem ser levadas a público, que certas frases nunca devem ser ditas. Hoje eu procuro entender o que motiva e aceitar que uma pessoa é de um jeito, a outra não é a mesma pessoa.
Ainda não virei a Madre Teresa, hahaha, mas estou levando as coisas de uma forma mais light e isso é bom.
* post era pra ser a continuação do de baixo, só que fugi tanto ao tema que resolvi escrever algo independente.

