Aug 08 2006

Ilhas e conhecimento

Published by puny at 21:29 under sem classificação

Depois da aula de hoje, Conhecimento e Sociedade, e da conversa que tive com sem-nome dia desses, me pergunto: o que faz a maioria das pessoas evitar relacionamentos de qualquer espécie com quem pense diferente? Qual a grande dificuldade de ouvir as opiniões alheias calado, criticando internamente e sem mudar de opinião, sem discutir, sem nada? Por que raios as pessoas têm tanta dificuldade em aceitar os outros sem discussões? Eu posso ser bem radical às vezes . Mas nunca ninguém poderá dizer que eu deixei de ser melhor amiga de alguém por suas idéias ou sua falta de.

Aliás, acho que eu consigo isso por algo bem simples. Nunca concordei com ninguém totalmente. Ao contrário de Castel, perdi as esperanças de ser compreendida. Não que eu seja muito complexa: se o fosse, já teriam me entendido. Não que eu seja assim tão rasa; se o fosse, não precisaria que me compreendessem. Só nunca encontrei ninguém que eu olhasse e que eu dissesse: taí, bingo, me entendeu perfeitamente.

Creio que seja impossível, pois hoje eu defendo isso, amanhã aquilo. Por mais que a pessoa seja volúvel, com tantas combinações diferentes, a probabilidade de concordarmos com tudo sempre é praticamente… nula.

Portanto, desisto. Ninguém vai me entender. Começo a pensar que nunca ninguém compreenderá ninguém, no todo. Mesmo em partes, acho difícil. Somos muito ilhados. Mesmo nosso conhecimento: na MINHA OPINIÃO, apesar do que dizem professor e colegas, CONHECIMENTO NÃO SE TRANSMITE. Só transmitimos informação, que vira conhecimento para uma única pessoa se e como ela quiser, que por sua vez transmite para outra INFORMAÇÕES de PARTES de seu conhecimento, já que ninguém pode transimitir tudo que conheceu, viveu e aprendeu a outrem.

4 Responses to “Ilhas e conhecimento”

  1. sem-nome on 08 Aug 2006 at 21:39

    depois de ler este post, decidi parar de falar com vc, pois eu discordo.

  2. Bloco “piegas, mas sincero”…

    Depois do Drummond, Vinícius de Morais é meu poeta preferido e quem mais poderia escrever algo tão bacana e verdadeiro como “Amigos”?

    Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absolu…

  3. yu on 09 Aug 2006 at 23:14

    vc já estudou semiótica, né? eu não.

    mas um modelinho xarope em forma de triângulo pode explicar porque as pessoas não se entendem. Nem precisa estudar a história da filosofia inteira e entender Habermas pra chegar a essa triste conclusão. Pois é, mas sou masoquista, e pretendo já ter feito isso antes de estar morto - ou senil…

    sobre a rejeição à alteridade, sua resposta se encontra nos cinemas.

    vc, por algum motivo escuso, decide ir sozinha, na última hora, assistir a um campeão de bilheterias. Compra um dos últimos ingressos, entra na sala, apenas com a esperança de sentar no teto - eis que provavelmente todos os lugares bons estarão ocupados.

    Então, vc nota que, lá no fundo, um assento vazio te aguarda - um daqueles que vc escolheria até se fosse a primeira a chegar. Apenas porque as panelinhas, cada uma, talvez, com número par de pessoas, não conseguem grudar umas nas outras. A fila tem número ímpar de lugar, podiam ficar juntinhas e deixar a ponta vazia, mas não fazem isso… Precisa haver distância entre elas. Um dos poucos casos em que vc tiraria vantagem dessa aversão dos humanos ao diferente, não?

    Talvez se trate de uma alegoria apenas com sentido pra quem tem fobia social - paranóia mesmo, de quem se irrita quando alguém senta ao lado em ônibus vazio. E por aí vai.

    O fato de os pontos de partida serem diferentes, bem assim os sentidos e indentidades que estabelecemos com base em um histórico, não parece ajudar - como se, com base nisso, bastasse achar nossa alma gêmea por aí. Ainda que todos fossem iguais, as pessoas não entendem nem a si próprias…

    Que falta de inspiração a minha…

    =(

  4. puny on 10 Aug 2006 at 13:55

    ã… minha fobia social se resume ao ônibus. invariavelmente, um desconhecido ou desconhecida que sente ao meu lado atrapalhará minha leitura ou minha musiquinha. com apenas 20 minutos entre minha casa e fabico, gosto de aproveitar ao máximo. ultimamente, entretanto, sempre encontro uma ou duas colegas no ônibus, o que estraga minha leitura da mesma forma, ou até mais. não faz diferença  :P

Trackback URI | Comments RSS

Leave a Reply