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Mar 14 2006

Vou rodar

Published by puny under sem classificação

Na cadeira “Leitura, biblioteconomia e inclusão social”. Por quê? Precisa explicar? O nome da cadeira não diz tudo? Ok, eu desenho. Eu odeio Hora do Conto, contação, oralidade, diaboaquatro. É um trabalho lindo, maravilhoso e que eu admiro muito, mas eu não nasci pra isso. Isso se refere à leitura. Biblioteconomia acho que está ali pra enfeite ou como elo de ligação entre Hora do Conto e inclusão social. Não que eu seja contra a inclusão social. Eu só acho que caridade não resolve. E eu odeio ser doutrinada. O-D-E-I-O.

Como eu discutia com as colegas, hoje, acho muito importante a contação de histórias para incentivar crianças ainda não-alfabetizadas a virarem leitores. E só. Para crianças grandinhas já se torna algo supérfluo e, de certa forma, ridículo. Aliás, eu acho até que, para pré-leitores, devemos contar histórias que não estão em livros. O que fazer com os livrinhos infatis, cheios de figuras? Oras, devemos somente mostrá-los, deixar que as crianças observem as figuras. Assim, elas ficam curiosas e querem aprender logo a ler pra entender melhor a história que está ali.

A propósito: tenho escutado muito a expressão “democratização do conhecimento” ou então “bibliotecas elitistas”. Oras, qualquer um pode entrar na Biblioteca Pública! Basta um mínimo de interesse… Não pode-se culpar os bibliotecários por tudo. Ah, o brasileiro não lê, nao freqüenta bibliotecas, é tudo culpa deles. Bobagem, é uma questão cultural e, perdoem-me os anti-determinismo, geográfica. Quem pode ficar à toa na praia não fica na praia lendo. Já no frio, não tem-se o que fazer dentro de casa e…

Além disso, o conhecimento não pode estar disponível a todos. Ui, agora disse uma heresia? Não, acompanhe meu raciocínio e deixe as pedras naquele cantinho, por favor. Se eu quiser, por exemplo, um livro de medicina. Eu jamais deveria ter acesso! Eu poderia fazer mau uso dessa informação, me automedicando, por exemplo. O ideal é que eu consulte um profissional formado, que possa me indicar o tratamento correto. Quer mais exemplos? Vá que eu resolva ler alguma coisa de engenharia civil, e me ache apta, por minhas leituras somente, a tocar uma obra. Absurdo, não? Pois é, eu poderia dar outros exemplos menos fictícios, mas acho que meus leitores podem muito bem entender o que eu estou querendo dizer. Informação deve ser dada a quem está apto a utilizá-la, não a qualquer zé mané que se ache no direito. O direito à informação deveria ser mais relativo, essa é minha opinião.

Depois dessa, rodarei em mais uma cadeira…

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