Archive for February 15th, 2006

Feb 15 2006

Estou falando sozinha. Não leia este post.

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Eu sei que vou conseguir. Eu já fiz coisas maiores, eu sei ser responsável. Eu vou dar conta e nem vai ser tão difícil. Eu preciso de dinheiro e, principalmente, de oportunidades. Elas são raras para mães adolescentes.

Além disso, eu não quero e não vou abrir mão de estudar francês. Sim, vai ser no sábado, pela manhã. Sim, terei que contar com as pessoas que sempre me deixam na mão. Se é realmente o que eu quero, tenho que saber que terei de faltar alguns dias, que eles vão me decepcionar, que eu vou me prejudicar -  mas será recuperável.

Sei que eu vou chegar podre em casa. Sei que a Alice vai ficar chateada de me ouvir reclamar todos os dias. Sei que terei pouco tempo pras minhas leituras queridas. Sei que em alguns dias eu vou querer morrer, sumir, desaparecer. Sei que eu vou ter vontade de largar tudo.

Sim, até pode ser draminha antecipado. Se eu não pensar antes, eu já desisto sem tentar. Então eu preciso pensar em todas as possibilidades. Preciso acreditar que dará tudo certo.  Vai dar tudo certo.

Eu vou ficar super estressada, mas eu vou ter orgulho de dizer isso. Eu vou ter orgulho de dizer que eu sou, sim, capaz de tudo o que eu quero, apesar dos meus pesares. Eu vou trabalhar, fazer faculdade, estudar francês, cuidar da casa e cuidar da Alice. Se bobear, começo academia (brincadeirinha!).
Não há limites para a pequena puny.

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Feb 15 2006

Ela traiu?

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A pergunta que jamais calará: “Capitu traiu ou não Bentinho?” é tema da coluna do Gaspari, hoje.

Segue um pequeno trecho:

“A interminável CPI da Capitu

Mais uma nota de pé de página no grande mistério da vida literária nacional: Quem é o pai de Ezequiel? Só duas pessoas sabiam. Capitu, que não existiu, e Machado de Assis, que deixou a dúvida no “Dom Casmurro”. O escritor Antonio Carlos Villaça, morto em 2005 aos 77 anos, passou pelo enigma na última página do seu “O Livro dos Fragmentos”, esplêndida colcha de lembranças que chegou às livrarias.
Ele conhecia como poucos as histórias da literatura brasileira e o alcance das palavras. Referindo-se à trama de Capitu, escreveu assim: ‘Teria Machado como inspiração dona Georgiana, a inglesinha, a mulher de Alencar, tão sua amiga, que ele conhecia intimamente. Era um grande freqüentador da casa de Alencar. (…) Continuou amigo de Mário Alencar. Jantava com ele aos domingos, na casa de Botafogo. E ia vê-lo diariamente na Biblioteca da Câmara. Era como um filho’.”

E eu que sempre defendi a Capitu! Sempre! Pra mim, a estória toda estava apenas na cabeça do Bentinho. Assim como, provavelmente, toda essa estória deveria estar apenas na imaginação do Alencar e de toda essa gente maliciosa. Vai ver foi uma grande brincadeira do Machado com o amigo…

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Feb 15 2006

Memória

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Eu gostaria de saber como funciona, exatamente, a nossa memória. A minha eu até compreendo; a dos outros é que me intriga. Às vezes tem coisas que, para mim, seriam inesquecíveis. A mesma situação é esquecida por outras pessoas. Existem pequenos detalhes que não saem da minha cabeça; aquela bala, aquele carro, aquele bar, uma rua qualquer, um pequeno instante “insignificante” para os demais. Também existem coisas grandes e importantes que eu esqueço. Ou coisas que algumas pessoas lembram e eu desconheço completamente.

Fico tão feliz quando alguém lembra de algo que eu lembro também! Talvez por ser uma situação rara, ou por ser algo passado, significativo, enfim. Passei horas pensando a respeito, hoje. Feliz. Fico muito feliz por ser lembrada - especialmente por ser algo pequenino e aparentemente insignificante.

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