Jan 11 2006
Mais de ano
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Faz que saí da minha “casa”. Minha casa nunca foi o lugar onde eu passava as noites. Minha casa era onde eu estudava, almoçava, dormia, passava a tarde. Resumindo; minha casa era o lugar onde eu vivia.
Não sinto falta de lá, não quero voltar. Sinto falta é da época. Aliás, há mais uma coisa da qual sinto falta: as paredes e as escadarias. Ninguém nunca me entenderá como aquelas paredes me entendiam.
Não, não estou brincando. Lá é o único lugar que eu conseguia entrar e chorar. Não sentia a menor vergonha dos colegas, nem dos funcionários, menos ainda dos professores ou coordenadores (diga-se de passagem: não que eles me deixassem à vontade, pelo contrário, as paredes é que me faziam sentir-me em casa). Se por acaso eu estivesse feliz, também não sentia o menor pudor: ria, alto e claro.
Se eu queria sossego, com um pouco de sorte encontrava; companhia sempre havia. Mesmo que fossem minhas amigas escadarias.
Engraçado é que só hoje me dei conta disso. Há mais de ano que não dialogo com minhas paredes. Não que isso me entristeça - sei, o tom desse pouste está ruim. É, entretanto, apenas uma constatação.

