Dec 08 2005
Uma velha
Sempre me portei como tal.
Meus amigos próximos podem confirmar. Desde os 4 anos, penso como uma velha de 60.
E ajo como tal. Sim, velhas de 60 também têm espasmos infantis. Já citei o caso da minha avó? No momento, ela parece uma adolescente. Só não digo o porquê pois alguns primos acessam isso aqui, que eu sei…
Andei pensando a respeito, pois hoje conheci uma vizinha nova, que me felicitou por ser uma mãe ‘jovem’, da seguinte maneira; “Ah, vais conhecer teus bisnetos! Que bom!”
Bom pra quem? Pra eles? Duvido. Pra mim, talvez seria.
Sei, entretanto, que isso não será possível. Quem foi velha desde os 4 anos jamais chegará aos 40. Eu tenho esse espírito da Benta em mim. Essa coisa meio carrancuda, sabe? De dizer “viela é uma rua estreitinha” a quem diz “vi ela não sei aonde” e outras pérolas do tipo. Ou então “mim não faz nada” - a minha favorita.
Enfim, pensei em tudo isso pois a Benta faleceu antes mesmo de eu ficar grávida. E ainda não terminaram o inventário. estão se matando para isso, afinal, ela não tivera filhos. E as irmãs são muitas… Minha parte da “herança” está garantida. Apesar dela ser uma das mais ricas das tias-avós, só quero dela uma coruja. E foi o que a vó trouxe da casa dela pra mim. Pra quem não sabe, ou seja, 99% dos leitores, a Benta colecionava corujas, símbolo da sabedoria - espero que isso todos saibam, oras.
Bom, fugi do assunto, novamente. Está virando costume. Eu sei que ela teve uma vida relativamente infeliz, mas como a invejava… Inteligente, rica, sem filhos. E sozinha. Pelo menos isso temos em comum.
Chora, Carla, chora; é melhor que ter problemas estomacais de novo.

