Dec 02 2005

A epopéia das baratas

Published by puny at 17:47 under sem classificação

2:30 da madrugada. A Alice acorda, querendo leite. Eu levanto, meio mal-humorada.
Vou até a cozinha e encontro a maior delas; sossegada, quietinha no meu puxa-saco - aquele utensílio de cozinha onde as donas de casa colocam os saquinhos de súper. Dei um grito. Os vizinhos enxeridos olharam pela janelinha do banheiro. Fui, calmamente, até o banheiro. Peguei o super-spray, borrifei a uma distância segura. A barata fugiu, pra onde não vi. Voltei ao quarto e comuniquei a Alice que ela não teria mais leitinho. E disse que sentia muito. Antes que eu pudesse terminar a frase, ela gritou que queria porque queria. Com medo de um novo olhar dos vizinhos, fui a cozinha, com chinelo havaiana e spray em punho. Nada da barata. Pensei com meus sapinhos que ela deveria ter ido embora, enfim! Preparei o leite, e levei ao quarto. Ao chegar, a minha filhote amada pediu que eu trocasse a fraldinha dela. Acendi a luz do abajour. E lá estava a segunda. Ao lado da cama, paralisada pela luz. SIM, AO LADO DA MINHA CAMA! Gritei a Alice que fosse para o centro da cama de casal, e lá ficasse. Peguei o spray que estava na cozinha,e borrifei na barata. Ela pulou para cima da cama, quase ao lado da Alice, e voou para a parede. Ao ver aquele troço horroroso a 20cm da minha filhote amada, eu gritei: SAIA DE PERTO DA MINHA FILHA, SAIA! - enquanto eu borrifava o veneno por toda a casa. Aí peguei a Alice, levei-a pra sala com os seguintes dizeres:
não sairemos daqui até amanhã. De pronto, ela respondeu: xixi banheiro.
Eu disse: faça na fralda, docinho, acabei de trocar. Xixi banheiro, mããããe - foi a resposta recebida. Coloquei meu chinelo plataforma e fui com Alice ao banheiro. Ela fez o tal xixi, e na volta para sala, vi a barata - a terceira ou segunda - dentro dos meus tênis. SIM, NOS MEUS TÊNIS! Quase morri. E fui pra sala, sentei a Alice no sofá, e reiterei que não sairíamos dali. Então outra barata - talvez a terceira, mesmo - aparece na porta da sala. Outro grito, seguido de um “não suporto mais morar sozinha”.
Liguei pra mãe.
O Carlos atendeu. Eu chorava. Implorei que ele viesse socorrer a irmã nesse momento de penúria. Ele alegou que tinha uma prova e que já eram 3:30. Aí ele passou o fone pra mãe. Ela disse que viria, mas 5 minutos depois, me ligou dizendo que eram 3 da manhã e que eu tinha que me acalmar, que eram só baratas. Algo como um “te vira!”. Coloquei a Alice pra dormir no sofá, e fiquei pensando no livro da Clarice Lispector. Caso “A paixão segundo G.H.” caia na UFRGS esse ano, perdoarei as baratas.
Enfim, dormi toda encolhida na minha poltrona, e a Alice dormiu bem até no sofá. Por que eu não abri o sofá cama? Simples, eu estava com medo de encontrar mais alguma barata e…
Bom, apesar de tudo estou viva. E concluí que ainda quero morar sozinha, mas preciso de alguém pra matar baratas. Quem se habilita?

5 Responses to “A epopéia das baratas”

  1. k. on 02 Dec 2005 at 18:10

    odeio baratas voadoras…

  2. lekrapo on 02 Dec 2005 at 22:19

    se eu der risada, você vai ficar brava? =X

    foi mal, mas não deixa de ser engraçado.

  3. Puny on 02 Dec 2005 at 22:31

    Não, le sapô, todos já riram muito da minha cara por isso hoje ;D

  4. Elas « Enfim… on 12 Dec 2006 at 7:14

    [...] Peguei a mocinha e fui pra sala. Esperei. Nada. Voltei ao quarto e ela não estava mais ali. Já eram mais de 23h. Tomei coragem e entrei de vez no quarto. Ela voou. Gritei e voltei pra sala. Liguei pra mãe - sim, eu não aprendo nada!: [...]

  5. Ai… at Enfim… on 08 Jan 2007 at 20:04

    [...] Outra coisa assaz irritante são as baratas. A.A. eu matava-as e sequer tinha nojo. Mas D.A., eu não consigo. Eu grito e fujo como uma criança ao ver um palhaço, como vocês podem ter o (des)prazer de ler no link já colocado. [...]

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